Aprendendo sobre discipulado com os Pais da Igreja
Rev. Marcelo Lemos
Quando o assunto é discipulado poderíamos aprender muito com os cristãos antigos. Quando se vai plantar uma nova Igreja é um excelente momento para refletir sobre isso. Afinal, o discipulado será visto como um curso doutrinário a parte? Ou o discipulado estará integrado ao evangelismo e ao crescimento orgânico da Igreja e dos fiéis.
Pode haver algum aprendizado sobre isso, por exemplo, com São João Crisóstomo, de quem herdamos uma série de catequeses batismais. Crisóstomo era um grande orador, e tinha apreço especial por preparar os novos convertidos para o Santo Batismo. Em seu tempo, pregou contra o paganismo, conclamando as pessoas à uma vida nos caminhos do Senhor. Ele acreditava que “basta um só homem para reformar todo um povo”.
Entretanto, a catequese não se resumia ao intelecto, abrangia a vida como um todo. A fé cristã não era apresentada como um mero novo conjunto de crenças, mas principalmente como um novo viver. O discipulado não tinha como objetivo somente a formação doutrinária, era também um discipulado para a vida. Um discipulado no qual o novo convertido não era deixado a sós em seu dia a dia, antes, era acompanhado passo a passo, como um recém chegado à família de Deus.
Veja-se o exemplo de Orígenes, de quem Eusébio de Cesareia diz que começou a dirigir a escola de catequese de Alexandria quando tinha apenas 18 anos, e que alcançou grande renome, “pois, não os assistia apenas na prisão nem só quando interrogados e condenados, mas ainda depois da sentença final, com a maior audácia e expondo-se ao perigo, ficava junto deles ao serem os santos mártires levados para a morte. Assim, quando ele avançava corajosamente e com grande ousadia saudava os mártires com um beijo, acontecia frequentemente que o povo pagão que os cercava se enfurecia e estava a ponto de se precipitar sobre ele, mas estendia-se a mão de Deus para socorrê-lo e fazer com que milagrosamente escapasse” (CESAREIA, Eusébio de; História Eclesiástica; Patrística Vol. 15, Paulus).
É possível comparar o discipulado daqueles cristãos como a prática comum de hoje? Se para nós o discipulado é algo professoral, de cima pra baixo, naqueles dias era uma coisa orgânica, viva. Eram também professores de doutrina, teologia e moral, mas não limitavam-se a passar aos discípulos um conjunto de enunciados. Ser um discipulador era um compromisso de viver junto, caminhar junto, sofrer junto, padecer e morrer junto se preciso. Em outras palavras, o discipulado não era uma função, mas um estilo de vida.
Como tem sido o nosso discipulado? No ensino teológico, ou pecamos por excesso de racionalidade, ou pela atitude anti-intelectual. Na prática da vida muitas vezes é raro conseguir visualizar a ligação entre nossos enormes livros dogmáticos e a vida do homem comum.
Learning About Discipleship from the Church Fathers
The Church Fathers provide a wealth of insights into discipleship, rooted in their deep engagement with Scripture and their pastoral contexts. They understood discipleship as a transformative journey of becoming more Christlike, emphasizing spiritual growth, communal life, and steadfast faith amid challenges. For them, discipleship was not merely a private endeavor but a communal responsibility, deeply connected to the life of the Church. Through their writings, they offer timeless guidance on prayer, humility, service, and perseverance as essential aspects of following Christ.
Their teachings also highlight the cost and commitment of true discipleship. The Church Fathers often addressed persecution, moral dilemmas, and the importance of standing firm in faith. Their lives and writings exemplify a profound dedication to living out the gospel, calling believers to holiness and integrity. By studying their works, modern Christians can gain valuable perspectives on navigating contemporary challenges while staying faithful to the call of Jesus.
